"Este disco fala e canta quase sempre as histórias vividas nos ambientes do trabalho, na sua forte ligação à terra; aos amores e desamores, às saudades e à forma como se refortaleciam os corpos cansados, através da música e das suas lembranças.
A música dos Adiafa assume a mistura de muitas refências musicais portuguesas - que viajaram de todo o país, para se concentrarem em terras alentejanas - trazidas por homens à procura do trabalho. Mas este disco é, sobretudo, ligado ao Alentejo e às suas vozes, neste caso enraizadas no "Cante", misturadas com outras estéticas, retiradas da "tradição" coral portuguesa.
Também a utilização dos instrumentos - sobretudo os adufes e as caixas de guerra - fazem a ponte além fronteiras da terra dos homens de sol a sol. Não esquecendo, claro está, a utilização da Campaniça - este sim um instrumento do Baixo Alentejo, quase perdido, que agora vai sendo outra vez ouvido e tocado na região.
Só que os tempos mudaram... E é assim mesmo que o disco acaba, apresentando uma versão "remix" de "As meninas da Ribeira do Sado" - o mesmo tema que abre o disco. Uma versão, a piscar o olho à noite disco-dançante das noites da cidade, como sotaque do alentejo."
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